Aumento da Selic: taxa básica de juros maior influencia o consignado?

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Publicado em: 04/08/2021

Desde o início de 2021 o mercado financeiro e os brasileiros em geral estão acompanhando o aumento da Selic que vem sendo realizado pelo Banco Central, por meio da atuação do Copom (Comitê de Política Monetária). Para os beneficiários do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), servidores públicos e trabalhadores celetistas, fica a dúvida: a taxa de Selic influencia o empréstimo consignado? E, em caso positivo, em que medida?

Entender o impacto do aumento da Selic sobre outros indicadores econômicos e financeiros é essencial para os consumidores, especialmente aqueles que podem vir a querer ou precisar nos próximos meses de crédito pessoal, seja empréstimos, financiamentos ou outras linhas.

Acompanhe abaixo as principais informações que dizem respeito ao aumento da Selic e o seu impacto para o mercado de crédito, incluindo o empréstimo consignado.

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O que é a taxa Selic?

O primeiro passo para compreender as particularidades da taxa básica de juros é entender o significado dos juros. Em resumo, o juro nada mais é que o custo do dinheiro.  

No Brasil, a taxa básica de juros é chamada de Sistema Especial de Liquidação e Custódia ou simplesmente Selic. A Selic diz respeito à taxa de juros apurada nas operações de empréstimos de um dia entre as instituições financeiras que utilizam os títulos públicos federais como garantia.

A taxa básica de juros tem diversas finalidades, em especial, controlar a inflação e determinar o rumo do mercado de crédito. O índice é utilizado para controlar os juros aplicados em operações financeiras como investimentos, empréstimos e financiamentos.

Ou seja, os bancos utilizam a taxa básica como parâmetro para cobrar pelos serviços financeiros prestados.

Aumento da Selic: qual o impacto geral para a economia?

Um dos principais objetivos que o Copom tem com a taxa básica de juros é controlar a inflação, que é o nome dado para o aumento de bens. Assim, utiliza-se a Selic para evitar que os preços de produtos e serviços subam demais.

Enquanto a inflação baixa, estável e previsível promove diversos benefícios para a sociedade, permitindo o crescimento da economia e o planejamento de gastos de consumo das famílias brasileiras, a inflação alta atua na contramão, freando o consumo e, por consequência, os investimentos no país.

Com o aumento da Selic, há uma natural diminuição das atividades econômicas. Com menor poder aquisitivo, cai a procura dos consumidores por produtos e serviços e, com isso, força-se a queda de preços com o objetivo de proporcionar uma estabilização.

Assim, para manter a inflação sobre controle, o Copom busca regular a Selic – no caso, como pretende-se reduzir a inflação, a alternativa é elevar a taxa básica de juros.

Histórico do aumento da Selic em 2021

Após o Copom ter elevado a taxa Selic para o patamar de 14,25% a.a. em julho de 2015, valor mais alto desde 2006 (quando a taxa alcançou 15,75%), a Selic passou a cair continuamente nos últimos anos.

Entre 2018 e 2019, ficou em valores próximos a 6%, mas a partir de 2020 a queda foi ainda mais acentuada: tanto que, em agosto do ano passado, a Selic chegou ao menor valor: 2% ao ano, permanecendo assim em quatro rodadas de decisões do Copom.

O cenário de taxa de juros baixos no Brasil passou a mudar em 2021. O aumento da Selic pelo Copom tem sido registrado desde março:

Dados: Banco Central|Arte: bxblue

Na última reunião do Copom, nos dias 3 e 4 de agosto, o Comitê promoveu a maior alta da Selic no ano, em um ponto percentual. As justificativas dadas pelo órgão do Banco Central foram:

  • No cenário externo, a evolução da variante Delta da Covid-19 adiciona risco à recuperação da economia global. O Comitê avaliou que ainda há risco relevante de aumento da inflação nas economias centrais;
  • Em relação à atividade econômica brasileira, os indicadores recentes continuam mostrando evolução positiva e não ensejam mudança relevante para o cenário prospectivo, o qual contempla recuperação robusta do crescimento econômico ao longo do segundo semestre;
  • A inflação ao consumidor continua se revelando persistente. Os últimos indicadores divulgados mostram composição mais desfavorável. Destacam-se a surpresa com o componente subjacente da inflação de serviços e a continuidade da pressão sobre bens industriais, causando elevação dos núcleos. Além disso, há novas pressões em componentes voláteis, como a possível elevação do adicional da bandeira tarifária e os novos aumentos nos preços de alimentos, ambos decorrentes de condições climáticas adversas;
  • As diversas medidas de inflação subjacente apresentam-se acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta para a inflação;
  • As expectativas de inflação para 2021, 2022 e 2023 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 6,8%, 3,8% e 3,25%, respectivamente; e
  • No cenário básico, as projeções de inflação do Copom situam-se em torno de 6,5% para 2021, 3,5% para 2022 e 3,2% para 2023. Esse cenário supõe trajetória de juros que se eleva para 7,00% a.a. neste ano, mantém-se nesse valor durante 2022 e reduz-se para 6,50% a.a. em 2023. Nesse cenário, as projeções para a inflação de preços administrados são de 10,0% para 2021 e 4,6% para 2022 e 2023.

Além disso, vale registrar que o aumento é o maior em um período de 18 anos: a última vez que o Copom elevou a taxa nesse nível foi em fevereiro de 2003. Segundo afirmou o Comitê,

Neste momento, a estratégia de ser mais tempestivo no ajuste da política monetária é a mais apropriada para garantir a ancoragem das expectativas de inflação. 

Por fim, na nota oficial divulgada, o Comitê já adiantou que para a próxima reunião antevê outro ajuste da mesma magnitude na taxa básica de juros. 

Por que o Copom está optando pelo aumento da Selic?

Para decidir a favor do aumento da Selic, o órgão do Banco Central leva em consideração uma série de fatores, tais como a inflação, a atividade econômica do país, o estado das contas públicas e até mesmo o cenário externo.

De acordo com o Copom, os mais recentes indicadores (como o do PIB) apontam para a “recuperação consistente da economia”, mas o Comitê explicou que a incerteza sobre o ritmo de crescimento da economia permanece elevada.

Atualmente, apesar do avanço da vacinação contra a covid-19, a pandemia do coronavírus já levou a óbito mais de 550 mil pessoas. Nesse cenário, diversas cidades brasileiras ainda estão com restrições ao comércio e à indústria como forma de tentar conter a propagação do vírus.

Além disso, soma-se a este quadro o alto desemprego registrado no país, que atinge mais de 14 milhões de pessoas e afeta o consumo e as atividades econômicas.

O que acontece com o aumento da taxa Selic?

Como a taxa básica de juros está diretamente ligada às operações que têm os títulos públicos federais como garantia, a sua alteração modifica, por consequência, a rentabilidade dos títulos. Se a rentabilidade dos títulos muda, significa que o custo de captação dos bancos também muda.

Assim, se a taxa Selic diminui, diminui o custo de captação dos bancos, e por isso conseguem emprestar dinheiro a juros menores. Mas o inverso também é válido: o aumento da Selic encarece o custo de captação e por isso os bancos repassam esta diferença para o mercado, emprestando dinheiro a juros maiores.

Como o aumento da taxa Selic influencia o consignado?

O empréstimo consignado tem suas parcelas mensais descontadas diretamente do pagamento do tomador – no caso de aposentados ou pensionistas do INSS, o valor é descontado do benefício; já no caso de servidores públicos ou trabalhadores celetistas, o desconto é direto na folha de pagamento.  

É em razão dessa característica, que torna o consignado um empréstimo com risco quase nulo para os bancos, diante da adimplência dos contratos, que as taxas de juros do consignado são uma das menores do mercado.

Mas, diante da dinâmica da taxa Selic com as demais taxas do mercado, fica fácil compreender o motivo pelo qual elevar a taxa básica de juros faz os juros de diferentes operações no mercado financeiro subirem também.

Dessa forma, os juros cobrados em financiamentos, empréstimos e cartões de crédito, por exemplo, ficam mais altos. Não seria diferente, assim, com os juros do empréstimo consignado.

Vale ressaltar, no entanto, que o efeito da alta da Selic sobre as demais taxas não é imediato, tampouco idêntico.

O mercado leva ainda um tempo para “se ajustar” à nova realidade, e não necessariamente as instituições financeiras irão aumentar os juros dos empréstimos no mesmo percentual definido pelo Copom para a Selic.

Por que é importante comparar as taxas de juros do empréstimo consignado?

Independentemente de qual será o próximo aumento da Selic e, por consequência, dos juros do consignado, fato é que ele ocorrerá, e para todos os que precisam ou querem um empréstimo nesta modalidade, quanto antes a operação for realizada, maiores as chances de obter um contrato com juros menores.

Como consumidor, é sempre importante assegurar a contratação do melhor empréstimo consignado, levando em consideração as necessidades, valores, condições de pagamento e o Custo Efetivo Total (CET) da operação.

Diante do atual cenário que aponta para o aumento contínuo da taxa Selic, âncora das demais taxas do mercado, comparar as opções disponíveis ao consumidor para empréstimos consignados torna-se imprescindível.

Destaca-se, ainda, o fato de que as taxas de juros podem variar de acordo com o convênio e condições do contrato, a idade do contratante, o montante que será emprestado, e o prazo de pagamento escolhido, por exemplo.

Assim, ao comparar as diferentes taxas de juros que são cobradas por cada banco é possível encontrar a melhor proposta do mercado.

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