Golpe em empréstimo consignado: veja como fazer Boletim de Ocorrência

golpe em empréstimo consignado - mão segurando um megafone

Publicado em: 05/10/2021

A ocorrência de golpe em empréstimo consignado tem sido, infelizmente, uma prática muito comum. Nesse contexto, um dos principais alvos dos criminosos tem sido os aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

De acordo com a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), houve aumento de 60% nas fraudes financeiras contra idosos durante a pandemia da covid-19. Sendo assim, é de fundamental importância entender não apenas como evitar ser vítima deste tipo de prática criminosa, como também saber quais medidas devem ser tomadas caso suspeite ou tenha a confirmação de ter sofrido uma fraude com empréstimo consignado.

A seguir, confira os principais detalhes sobre os golpes mais comuns quando se trata do empréstimo consignado e como fazer um Boletim de Ocorrência acerca do crime.

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Quais são os principais tipos de golpe em empréstimo consignado?

O empréstimo consignado é uma modalidade muito visada por criminosos, especialmente em função da facilidade com as quais os bancos tratam o acesso de servidores públicos e beneficiários do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) ao crédito.

Não é demais lembrar que a liberação do dinheiro não depende da análise de crédito por parte das instituições financeiras, uma vez que o consignado está condicionado à existência de margem consignável livre. Dessa forma, com uma simples assinatura ou documento falso, golpistas conseguem retirar valores em nome de terceiros com certa facilidade.

Apesar de haver dezenas de fraudes envolvendo o consignado, algumas delas são mais comuns. A seguir, há um resumo com as abordagens que mais costumam ser aplicadas por criminosos.

1. Suposto encerramento de uma primeira dívida com abertura de outra

Uma das fraudes que mais acontece é contra pessoas com empréstimo consignado em andamento.

A manobra funciona assim: os estelionatários entram em contato com alguém que está pagando as parcelas de um empréstimo consignado. Em seguida, eles oferecem a possibilidade de refinanciar essa primeira dívida contraindo outra, com a liberação de crédito automático e diminuição do valor mensal que é abatido do pagamento.

Ou seja, a pessoa “passaria” a ter uma quantia menor subtraída de sua folha de pagamento e ainda levaria um troco na hora.

Ocorre que os bancos trabalham com transações parecidas — quando a pessoa já pagou boa parte da dívida, ela pode escolher o refinanciamento do empréstimo consignado. É aí que mora o perigo: essa semelhança com a prática bancária real faz muita gente se confundir.

2. Cobrança irregular pelo “serviço de empréstimo”

Quando celebra-se um contrato de empréstimo consignado, não são pagos somente os juros. Assim, também são desembolsados valores com taxas operacionais, seguros, entre outros procedimentos. Estes valores integram o Custo Efetivo Total do crédito consignado.

Entretanto, esses pagamentos virão cobrados nas prestações, descontadas do benefício ou salário da pessoa que contratou o crédito. Por esse motivo, ninguém precisa fazer pagamento antecipado para contratar um empréstimo consignado.

Apesar disso, quadrilhas podem oferecer o empréstimo como se fossem representantes de instituição financeiras e cobrar antecipadamente (ainda que seja valores pequenos) para que o crédito do consignado seja liberado. Por isso, é sempre indicado estar atento aos canais oficiais de comunicação tanto dos bancos e instituições financeiras quanto do INSS.

3. Sites falsos

Também são perigosas as fraudes com sites falsos. Isso porque essas páginas são intencionalmente muito parecidas com as verdadeiras. Afinal, os cibercriminosos usam o mesmo layout, cores, logotipo e afins. Porém, o domínio nunca será o mesmo.

Por isso, quando for entrar no site de uma instituição financeira, é crucial prestar atenção se o endereço eletrônico é o correto. Se for procurar o site por meio de pesquisa, optar por buscadores mais conhecidos, como Google e Bing. Também é recomendável verificar a autenticidade de links de instituições financeiras que surgem do nada pelo e-mail, WhatsApp ou redes sociais.

Como evitar o golpe em empréstimo consignado?

Primeiramente, quando se interessar por um empréstimo consignado, deve-se procurar diretamente a instituição financeira. Caso queira pesquisar qual banco oferece as melhores condições, prefira as plataformas especializadas nesse tipo de levantamento, como a bxblue.

Veja mais dicas abaixo.

Redobre os cuidados com os documentos pessoais

RG, CPF, certidões, comprovantes de rendas, extratos bancários, enfim. Os documentos pessoais são como chaves abrindo as portas para a ação de pessoas mal intencionadas.

Por isso, cuidado no transporte coletivo, ao caminhar na rua e até mesmo em locais aparentemente inofensivos nos quais é preciso apresentar algum documento, como postos de saúde e clínicas.

Além disso, se perder ou tiver registros pessoais roubados, é importante fazer um Boletim de Ocorrência na Polícia Civil do respectivo Estado. Isso ajuda a evitar que as informações acabem sendo usadas para aplicar fraudes.

Jamais forneça sua senha

Mais uma dica para se manter longe do golpe em empréstimo consignado é nunca fornecer a senha do banco. É importante recordar que apenas o próprio banco, quando a pessoa inicia alguma transação financeira, seja no caixa eletrônico ou nos sistemas de internet banking, é que vai requerer a senha.

Desconfie de falsos funcionários do INSS

Golpes em benefícios do INSS, infelizmente, são bem corriqueiros. Por esse motivo, é sempre bom que aposentados e pensionistas conheçam um pouco sobre a rotina de trabalho da Previdência Social.

Nesse sentido, saiba que o INSS não faz empréstimo consignado, serviço que é proporcionado por instituições financeiras autorizadas legalmente pelo Banco Central. Assim, nunca um funcionário do INSS vai ligar para um usuário apresentando ofertas de crédito.

Ademais, no processo do empréstimo consignado, a Previdência apenas libera ou nega a execução do procedimento, ou seja, ela não realiza nem estimula o beneficiário a realizar um consignado.

O que fazer diante de um golpe em empréstimo consignado?

Se o consumidor perceber ter sido vítima de uma fraude com consignado, a primeira medida a se tomar é registrar um Boletim de Ocorrência. Em seguida, informar o banco e a instituição pagadora — INSS ou órgão empregador.

Depois, solicitar o cancelamento da operação de empréstimo à instituição financeira responsável. Por fim, se o banco se recusar a suspender a transação, pode vir a ser preciso recorrer à Justiça, com ajuda de um advogado especializado.

Veja um passo a passo de como agir diante desse tipo de golpe.

Avise o banco que realizou o empréstimo

Ligue ou envie e-mail para o banco que aparece no contrato do empréstimo irregular efetuado. Caso não obtenha ajuda, procure a Ouvidoria dessa instituição — quando isso acontece, o banco passa a ter um prazo para dar respostas, que é de 10 dias úteis.

Se houver irregularidade, a quantia em questão deve ser devolvida em até 2 dias úteis. É preciso ficar claro que você não fez o trâmite e que quer deixar de pagar pelo consignado firmado indevidamente.

Bloqueie seus benefícios temporariamente para novos consignados

Mediante uma situação de golpe em empréstimo consignado, o melhor a fazer é bloquear temporariamente o benefício para operações similares. Isso porque é possível que o consumidor tenha sido alvo de vazamento de dados pessoais, e bloquear o benefício irá impedir novas contratações irregulares. Assim, o usuário coloca uma espécie de escudo sobre o pagamento, proibindo qualquer outra transação desse tipo.

  • Efetuar login no Meu INSS;
  • Ir para “Agendamentos/Solicitações”;
  • Apertar “Novo Requerimento”;
  • Selecionar o serviço que deseja acessar: no caso, a opção correta é: Bloquear/Desbloquear Benefício para consignado;
  • Acionar o botão “Avançar”;
  • Inserir os dados que serão pedidos pelo sistema e aguarde a conclusão dos trâmites.

Saiba mais: Empréstimo consignado: INSS altera bloqueio e desbloqueio de benefício

Como fazer um B.O. no caso de golpe em empréstimo consignado?

Na internet ou no atendimento físico, a vítima deve apresentar o Extrato de Empréstimos Consignado à Polícia Civil do Estado onde mora. Aposentados e pensionistas conseguem esse documento na plataforma Meu INSS. Porém, os servidores públicos federais devem acessar esse relatório nos programas SIGEPE ou SouGov.

O extrato de consignado é muito importante para desfazer a fraude e encontrar seus responsáveis. Afinal, nesse registro constam dados como o valor do empréstimo, a conta bancária para a qual ele foi encaminhado, nome do banco, número de prestações, limites de tempo para saldar o débito, entre outras informações.

Veja como é fácil registrar o Boletim de Ocorrência:

B.O. presencial

Nesse caso, basta ir até a delegacia de Polícia Civil mais perto da sua casa. Leve documentos pessoais e o extrato do empréstimo.

B.O online

Outra possibilidade é registrar o golpe pela internet. Nesse caso, para alguns Estados brasileiros, está disponível o Sinesp Delegacia Virtual, do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Até o momento, os Estados conveniados são:

  • Acre;
  • Alagoas;
  • Amazonas;
  • Amapá;
  • Piauí;
  • Rio Grande do Norte;
  • Roraima;
  • Sergipe;
  • Tocantins.

Nas demais unidades da Federação, o cidadão que for lesado pode procurar a polícia estadual local. Confira os dados de contato a seguir.

Lista de delegacias especializadas em cibercrimes

Bahia

  • Grupo Especializado de Repressão aos Crimes por Meio Eletrônicos;
  • Rua Tristão Nunes, nº8, CEP: 40040-130 – Mouraria, Salvador/BA;
  • Contatos: (71) 3117-6109 / (71) 3116-6109.

Espírito Santo

  • Delegacia de Repressão a Crimes Eletrônicos;
  • Avenida Nossa Senhora da Penha, 2290, Santa Luiza, Vitória;
  • Contatos: (27) 3137-2607 / (27) 3137-9078.

Maranhão

  • Departamento de Combate aos Crimes Tecnológicos;
  • Rua do Correio, 75, Fátima, São Luiz;
  • Contato: (98) 3214-8657.

Mato Grosso

  • Gerência Especializada de Crime de Alta Tecnologia (GECAT);
  • Av. Coronel Escolástico, 346, Cuiabá;
  • Contato: (65) 3613-5649.

Minas Gerais

  • Delegacia Especializada de Investigações de Crimes Cibernéticos (DEICC);
  • Av. Francisco Sales, 780, Bairro Floresta, esquina da Av. dos Andradas, Belo Horizonte;
  • Contatos: (31) 3217-9714 / (31) 3217-9712 / (31) 3217-9714;
  • E-mail: crimesciberneticos@pc.mg.gov.br

Pará

  • Divisão de Prevenção e Repressão a Crimes Tecnológicos (DRCT);
  • Travessa Coronel Luíz Bentes, Telégrafo, Belém;
  • Contato: (91) 3222-7567.

Paraná

  • Núcleo de Combate aos Cibercrimes (NUCIBER);
  • Rua Pedro Ivo, 386, Centro;
  • Contatos: (41) 3304-6800 / 3321-1900.

Pernambuco

  • Delegacia de Polícia de Repressão aos Crimes Cibernéticos;
  • Rua da Aurora, 487, Boa Vista;
  • Contatos: (81) 3184-3206 / (81) 3184-3207;
  • E-mail: dpcrici@policiacivil.pe.gov.br.

Piauí

  • Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Alta Tecnologia (DERCAT);
  • Rua Barroso, 241, Centro;
  • Contatos: (86) 3216-5212 / (86) 3216-5225.

Rio Grande do Sul

  • Delegacia de Repressão aos Crimes Informáticos (DRCI) – Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC);
  • Rua Prof. Cristiano Fischer, 1440, Bairro Jardim do Salso;
  • Contato: (51) 3288-9815.

São Paulo

  • 4ª Delegacia de Delitos Cometidos por Meios Eletrônicos (DIG/DEIC)
  • Rua Brigadeiro Tobias, nº 527, 16º andar, Luz, São Paulo;
  • Contatos: (11) 2221-0977 / (011) 2221-7030 / (011) 2221-1761.

Observação: Atende apenas demandas relacionadas a fraudes financeiras por meios eletrônicos.

Sergipe

  • Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos (DRCC);
  • Rua Laranjeiras, 960, 1º andar, Centro;
  • Contato: (79) 3198-1135.

Rio de Janeiro

  • Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI);
  • Rua Professor Clementino Fraga, nº 77 (2º andar), Cidade Nova (prédio da 6ª DP);
  • Contatos: (21) 2332-8192 / (21) 2332-8188 / (21) 2332-8191.

Tocantins

  • Divisão de Repressão a Crimes Cibernéticos (DRCC);
  • Av. Teotônio Segurado, Quadra 202 Sul, Conjunto 01, Lote 05, Palmas;
  • Contatos: (63) 3218-6986;
  • E-mail: deic.drcc@ssp.to.gov.br.

Distrito Federal

Goiás

  • Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos (DERCC);
  • Rua R-17, Qd. F13, Lt.13, Setor Oeste;
  • Contatos: (62) 3201-2650;
  • E-mail: crimes.ciberneticos@policiacivil.go.go

O que acontece depois de registrar o Boletim de Ocorrência?

Geralmente, o delegado responsável abrirá um inquérito — investigação — a fim de apurar a autoria da fraude. Ao final desse procedimento, caso a Polícia Civil encontre os culpados ou suspeitos, será aberto um processo criminal na Justiça.

Caso seja necessário mudar o boletim de ocorrência após seu registro, é importante buscar informações junto à autoridade policial em questão sobre o procedimento de correção. Isso é possível, mas as regras mudam de um Estado para outro.

Nos canais das delegacias eletrônicas na internet, costuma haver opções como “retificar Boletim de Ocorrência” ou “Complementar boletim de ocorrência”.

Vale destacar que o registro do Boletim de Ocorrência também tem o poder de ajudar as autoridades competentes a prevenirem futuros atos criminosos; a denúncia da pessoa que foi vítima de golpe em empréstimo consignado permite a investigação e identificação dos responsáveis pela fraude.


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