Nova alta da Selic: Especialistas preveem impactos no consignado

A taxa básica de juros passou a 3,50% ao ano. Com nova alta da Selic, especialistas avaliam os principais impactos no crédito consignado.

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Na última quarta-feira, 05/05, em decisão unânime, o Copom (Comitê de Política Monetária) confirmou a nova alta da Selic, a taxa básica de juros, em 0,75%. Com o reajuste, a taxa passa a ser de 3,50% ao ano.

Em março, o BC (Banco Central) já havia anunciado o aumento da taxa de 2% para 2,75% ao ano. O órgão não descarta, ainda, um novo aumento de mesma proporção para a próxima reunião, prevista para o mês de junho. Se a previsão se concretizar, a taxa subiria para 4,25% ao ano.

De acordo com o último relatório Focus do BC, publicado dois dias após a divulgação da nova alta da Selic, a expectativa do mercado é que a Selic chegue a 5,50% neste ano, o que representa um acréscimo de 0,25% quando comparado às projeções de um mês atrás.

A elevação da taxa Selic tem impactos diretos no mercado financeiro, e não seria diferente com o crédito consignado. Confira o que os especialistas procurados pela bxblue trazem de avaliações sobre este cenário.

Entenda a origem da nova alta da Selic

A taxa Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia) serve como base para todas as taxas de juros do país e, por esse motivo, tanto o seu aumento quanto a sua baixa impactam diretamente no crédito, consumo e investimentos.

O BC usa a Selic como uma ferramenta para controlar a inflação, nome dado para o aumento de preços. Quando os preços sobem demais, a Selic é elevada para conter o consumo, já que juros mais altos tendem a desestimular a circulação de recursos. 

Para ilustrar o funcionamento da taxa básica de juros, o economista Manuel Enriquez Garcia, presidente da Ordem dos Economistas do Brasil e professor da USP, faz uma analogia didática:

Pensa numa árvore, que o tronco que está fixado no chão é a taxa Selic. E os ramos seriam as taxas cobradas pelo financiamento de veículos novos, usados, seminovos, taxas de desconto de duplicatas, financiamento de imóveis, o crédito consignado. Os galhos dessa árvore, cuja raiz é a Selic, vão ser afetados, alguns muito pouco, outros praticamente nada e, uns sim, vão ser afetados. 

Em nota oficial publicada pelo BC, o órgão argumenta que a decisão de nova alta da Selic reflete um cenário de balanço de riscos de variância maior que o usual para a inflação e tem como objetivo fundamental a estabilização de preços e a suavização das flutuações no nível de atividade econômica.

Segundo esclarece o professor Marcelo Valle, doutor em Política Científica e Teológica pela Unicamp, “é preciso vincular o aumento da Selic às próprias estratégias macroeconômicas do Governo. O que ocorre, é que nós estamos em um momento de inflação em alta, de pressão inflacionária em função da desvalorização do real, da valorização do dólar, do alto grau de endividamento. Então a elevação da taxa Selic tem como meta controlar a elevação da inflação tornando o custo do capital mais elevado e, com isso, diminuir a atividade econômica e forçar os preços a uma queda”.

Inflação segue alta, mas há perspectiva de melhora

A nova alta da Selic também foi pauta do Informativo Semanal de Economia Bancária da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) publicado nesta segunda-feira, 10/05, junto a uma contextualização da decisão do BC. 

Segundo o relatório, o Copom espera que a inflação siga pressionada a curto prazo, devido ao aumento de preço dos produtos no mercado internacional (commodities) e da mudança da bandeira tarifária na energia elétrica para nível mais caro.

A projeção é de uma inflação a 5,1% neste ano e 3,4% em 2022, com a Selic a 5,50% ao ano em 2021 e podendo chegar a 6,25% no próximo ano.

Ainda de acordo com o informativo da entidade, a sinalização por parte do BC em relação a um novo aumento da taxa pode fazer com que o mercado acredite em uma elevação de juros mais rápida que o previsto, com a Selic próxima a 6,0% ao ano ainda em 2021. 

Boas projeções para o PIB

Outra informação divulgada pela Febraban é a projeção de que o PIB (Produto Interno Bruto) – que indica o fluxo de todos os bens e produtos produzidos em um determinado período – do primeiro trimestre de 2021 não seja tão fraco.

As instituições consultadas pelo BC também possuem expectativas de crescimento para o PIB, com uma estimativa que deixou de ser 3,14% e aumentou para 3,21% ainda em 2021. Para 2022, a projeção de crescimento avançou de 2,31% para 2,33%.

E o impacto do aumento da Selic para o crédito consignado?

A Selic também é utilizada como parâmetro para o mercado de crédito, portanto, os empréstimos e financiamentos invariavelmente ficam mais caros quando ela sobe. Isso também é válido para o consignado, tipo de empréstimo voltado para servidores públicos federais e aposentados e pensionistas do INSS.

Para a economista Thais Zara, da LCA Consultores, o aumento das taxas de crédito pessoal é usual quando a Selic está elevada, ainda que ocorra uma defasagem:

Um dos efeitos de ajustes na taxa Selic ou canais de transmissão da política monetária é o aumento das taxas de juros cobradas pelos bancos em suas diversas modalidades de empréstimos, incluindo empréstimo pessoal. Existe uma defasagem entre o aumento da taxa de juros pelos bancos, mas tende a ser relativamente pequena, com uma reação relativa das taxas de concessão de novos empréstimos.

Conforme explica a especialista, em geral, modalidades com algum tipo de garantia (como é o caso do empréstimo consignado e financiamentos imobiliário e de veículos), possuem impacto menor do que as demais, uma vez que o spread dessas operações (ou seja, a diferença entre a taxa de captação e empréstimo) responde menos aos aumentos da taxa básica do que as modalidades sem garantia”.

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O economista e professor da USP Manuel Enriquez Garcia também considera que o impacto da alta da Selic no consignado tende a ser pequeno, pois “o consignado já é uma taxa que tem o risco baixíssimo de inadimplência, há muita competição entre os bancos para o crédito consignado”.

Veja a evolução na taxa de juros do consignado no primeiro trimestre de 2021, com dados do Banco Central:

 Servidores Públicos Beneficiários do INSS 
 Juros ao mêsJuros ao anoJuros ao mêsJuros ao ano
Janeiro1,26%16,2%1,64%21,5%
Fevereiro1,26%16,2%1,62%21,2%
Março1,27%16,3%1,62%21,2%

Fonte: Banco Central

Nova alta da Selic eleva taxas de juros do crédito pessoal

De acordo com o professor Marcelo Valle, as alterações nas taxas de juros do empréstimo pessoal devem acontecer nos próximos meses. Para além da taxa Selic, Valle dá destaque para outros fatores que podem impactar no mercado de crédito pessoal.

A gente tem que levar em conta os efeitos da pandemia, se a economia brasileira vai voltar a se recuperar no médio prazo. Também tem o efeito político, nós estamos a pouco mais de um ano de um processo eleitoral que sempre traz impacto sobre a economia, além de outros fatores, como a própria necessidade da reforma tributária, reforma fiscal e reforma administrativa que o governo está tentando aprovar no Congresso.

Na avaliação do professor, se o Governo Federal tiver êxito nas reformas e programas, a economia pode se recuperar mais rápido e, consequentemente, não ocorrer “um solavanco tão grande no mercado de crédito ao consumidor”.

Mas se o Governo tiver pouco êxito nessas operações, aí se espera uma forte elevação da taxa Selic ao longo de 2021 e consequências também pesadas para aqueles que necessitarem de crédito pessoal.

Como as taxas do empréstimo consignado tendem a variar de acordo com o banco, é importante se dedicar a uma busca aprofundada para encontrar a melhor opção levando em consideração aspectos como os juros, o valor final da contratação do empréstimo (Custo Efetivo Total) e as condições disponibilizadas pela instituição financeira.

Independentemente de quanto será o impacto da nova alta da Selic nos juros do empréstimo consignado, os servidores públicos federais e os aposentados e pensionistas do INSS que buscam esta modalidade de crédito pessoal devem estar atentos para buscar no mercado as menores taxas.

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Veja também: como declarar consignado no imposto de renda?


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Redação BX Blue

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