Descubra o que pensam os servidores públicos sobre o trabalho remoto

Publicado em: 23/06/2021

Home office, teletrabalho e trabalho remoto, termos que ficaram mais comuns no vocabulário desde o início da pandemia. As três palavras remetem à mesma ideia, qual seja, trabalhar de outro local que não o escritório da empresa, usualmente da própria casa. E não foi diferente com os servidores públicos. Após mais de um ano do teletrabalho, fica a pergunta: como é o trabalho remoto de servidores públicos?

Essa classe trabalhadora possui um regime jurídico próprio e se diferencia das demais em muitos aspectos, especialmente no que diz respeito à contratação. Com o teletrabalho, regras específicas foram criadas para os servidores em home office.

Para responder a essa pergunta, três pesquisadoras de Brasília fizeram um estudo do teletrabalho no serviço público, a partir de uma pesquisa sobre os pontos positivos e negativos, assim como o seu impacto, realizada com chefes e supervisores, teletrabalhadores do funcionalismo público e seus colegas.

Fique por dentro dos dados mais reveladores da pesquisa e veja outros detalhes sobre o home office do servidor público neste período de distanciamento social imposto pela emergência pública da covid-19.

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Prós e contras do trabalho remoto dos servidores públicos

A pesquisa “Teletrabalho na atualidade: quais são os impactos no desempenho profissional, bem-estar e contexto de trabalho?“, realizada em 2020, utilizou como amostra os servidores do Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados), um dos pioneiros na utilização do teletrabalho no Brasil.

O estudo, conduzido por Karina Pereira Bastos Vilarinho, Tatiane Paschoal e Gisela Demo, foi publicado na última edição da Revista do Serviço Público. As pesquisadoras observaram:

Este estudo apresenta um diagnóstico que pode prover aos gestores públicos um olhar mais reflexivo no que tange à adoção e subsequente implantação do teletrabalho.

Ao serem questionados sobre as vantagens do home office, os servidores deram as seguintes respostas, na ordem listada abaixo:

  • Aumento da produtividade
  • Melhoria na qualidade de vida e facilidade de deslocamento
  • Condições e organização do trabalho
Fonte: Pesquisa Teletrabalho na atualidade: quais são os impactos no desempenho profissional, bem-estar e contexto de trabalho?

Dentre os pontos negativos, há destaque para:

  • Preconceito e desconfiança de chefes e colegas
  • Dificuldades técnicas
  • Perda de convívio com os colegas
  • Dificuldades de gestão
  • Apoio da empresa
Fonte: Pesquisa Teletrabalho na atualidade: quais são os impactos no desempenho profissional, bem-estar e contexto de trabalho?

Quanto aos impactos no contexto de trabalho, bem-estar e desempenho profissional, a pesquisa apontou que houve destaque para a possibilidade de:

  • evitar o trânsito;
  • economizar tempo de deslocamento;
  • trabalhar sem interrupção de colegas; e
  • se distanciar de conflitos comuns ao convívio social.

Por outro lado, existem aspectos a serem melhorados, como a infraestrutura tecnológica e as interações sociais que, de acordo com a pesquisa, apontam para a necessidade de repensar práticas de convívio.

Trabalho remoto de servidores: diferenças na percepção

As pesquisadoras avaliam, a partir dos resultados da pesquisa, que houve diferenças significativas entre teletrabalhadores e colegas para todas as variáveis abordadas: contexto de trabalho, bem-estar e desempenho profissional.

As percepções dos teletrabalhadores foram mais positivas que as percepções dos colegas não teletrabalhadores para todas as variáveis pesquisadas.

O estudo apontou que quando comparados com colegas que possuem os mesmos cargos e desenvolvem as mesmas atividades, os servidores públicos que estão no home office apresentam desempenho profissional e bem-estar no trabalho mais elevados, além de avaliações mais positivas das relações socioprofissionais, condições e organização do trabalho.

Assim, no Serpro, o teletrabalho está associado a melhores avaliações de contexto, de bem-estar e de desempenho.

Uma especificidade constatada pelas pesquisadoras, ainda, foi que os servidores públicos em trabalho remoto apontaram preconceito e resistência por parte de colegas e chefias.

Tal fato, pontuaram, pode ser tanto decorrente da cultura local e organizacional (que valoriza as relações e comunicações cara a cara) como também de resistências frente a um arranjo e uma forma de organização do trabalho com os quais as pessoas não estão acostumadas.

Quando se pensa em contextos de isolamento social trazido por crises e pandemias, como o da Covid-19, o teletrabalho pode passar de alternativa à única opção viável.

Confira na íntegra o estudo sobre o teletrabalho de servidores na pandemia.

Regulamentação do trabalho remoto de servidores públicos é atualizada

Em meados de março deste ano, o Ministério da Economia atualizou as normas de funcionamento do home office do servidor frente ao agravamento da pandemia, por meio da Instrução Normativa 37/2021.

A instrução trata, sobretudo, do estabelecimento de orientações para o retorno gradual e seguro do trabalho presencial para os órgãos e entidades do SIPEC (Sistema de Pessoal Civil da Administração Pública Federal).

Quais as regras do teletrabalho de funcionários públicos?

Dentre as alterações previstas na IN, está a autorização de atividades presenciais apenas se as condições sanitárias e de atendimento da saúde pública assim o permitirem.

Além disso, a instrução também determina o teletrabalho no serviço público em 100% se houver restrição local de circulação ou antecipação de pontos facultativos e feriados legalmente instituídos.

Uma mudança significativa nas regras é a preferência de trabalho remoto para servidores que usam transporte público para se deslocar ao local de trabalho.

Confira outras regras do trabalho remoto de servidores públicos:

  • O número de servidores e empregados públicos em um ambiente de trabalho fica limitado a 30% da capacidade máxima, com o distanciamento de um metro entre os funcionários;
  • No caso de ambientes que abrigam gabinetes de secretarias, secretarias-executivas e de ministros de estado ou autoridades equivalentes, o limite é de 50% da capácidade máxima.

Até então, o limite de 50% era destinado a todas as repartições públicas, mas com as novas regras ele passa a valer apenas para locais com poder decisório de grande impacto administrativo.

Os Estados e municípios que permitirem um percentual maior no limite de servidores no ambiente de trabalho devem se sujeitar às respectivas regras.

Ainda segundo a instrução, cabe ao SIPEC disponibilizar em seus canais oficiais o número de servidores que no momento exercem atividade presencial e os que se encontram no regime de trabalho remoto.

Quando começou o home office para os servidores?

O trabalho remoto de servidores públicos teve início no dia 12/03/2020, após a publicação da Instrução Normativa 19/2020, que dispôs sobre orientações de medidas de enfrentamento do coronavírus ao SIPEC.

À época, a instrução autorizou o trabalho remoto para servidores que realizassem viagens internacionais ou apresentassem sintomas do coronavírus.

Apesar disso, o documento também atribuiu à gestão de pessoas do SIPEC a responsabilidade de assegurar que apenas os serviços estratégicos e essenciais continuassem em funcionamento.

No mês de outubro, a Instrução Normativa 109/2020 que trata do retorno gradual e seguro ao trabalho presencial foi publicada e, em março de 2021, substituída pela instrução que viabilizou as novas regras que estão em vigor.


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