Como proteger os dados bancários? 6 dicas úteis na era do open banking

proteger os dados bancários - pessoa ao computador e celular com imagem de cadeado de segurança

Publicado em: 13/08/2021

A segunda fase da implantação do sistema open banking começou nesta sexta-feira, 13/8, e junto com ela a possibilidade de os clientes compartilharem seus dados cadastrais, como nome e endereço, com várias instituições financeiras. Falar em compartilhamento e divulgação de informações pessoais é sempre muito delicado, afinal de contas, as pessoas sempre querem proteger os dados bancários para não correrem riscos.

Antes de mais nada, é importante destacar que as informações são compartilhadas entre os bancos somente com a autorização do cliente. E para garantir a segurança do procedimento a partir do monitoramento, esta segunda fase acontecerá entre agosto e outubro, em quatro etapas. 

Mas para a felicidade daqueles que desejam usufruir dos recursos do open banking, existem práticas que podem aumentar a segurança desse processo. Mais adiante, há uma lista com vários exemplos para conferir.

E para quem ainda não entende muito bem o conceito de open banking, respondemos várias dúvidas nos tópicos a seguir.

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Open banking: saiba mais sobre o processo de transformação digital financeiro

Open banking é o termo designado para se referir a uma série de medidas para o compartilhamento de dados pessoais e bancários dos consumidores entre diferentes instituições, autorizadas pelo Banco Central, de modo a permitir a movimentação das contas bancárias a partir de diferentes plataformas e não apenas pelo aplicativo ou site do banco, de forma segura, ágil e conveniente.

Sem o open banking, o histórico do consumidor com uma instituição não é conhecido por todo o mercado, o que dificulta a competição entre os bancos por oferecer melhores produtos e serviços.

A primeira fase da implementação do sistema foi em fevereiro de 2021, que desde o início conta com a regulamentação do Banco Central, que também é responsável por adotar medidas para garantir a privacidade e segurança de dados pessoais.

A estimativa é que a implantação esteja concluída até setembro de 2022, em quatro fases no total.

A ideia, com o novo serviço de troca de informações, é incentivar a inovação e trazer ofertas personalizadas aos consumidores, com os melhores produtos e serviços adequados a cada perfil. 

Na prática, essa troca acontece por meio de interfaces de programação que fazem conexão entre as instituições financeiras participantes e permitem o compartilhamento de modo padronizado.

Lembrando que os bancos de porte médio e grande no Brasil, isto é, com igual ou superior a 10% do PIB (Produto Interno Bruto) e porte inferior a 10% e 1% do PIB, são obrigados a participar do open banking. 

Quais são as fases do open banking?

O open banking será implantado em quatro fases e possui um cronograma com as datas em que cada uma está programada para acontecer.

A primeira fase aconteceu no dia 1/2/21, com a divulgação de dados dos participantes, como produtos, serviços, número de agências, endereços, telefones, assim como taxas e tarifas cobradas. Essas informações ficam disponíveis para consulta. Além disso, empresas terceiras podem desenvolver ferramentas que comparem as instituições.

Já a segunda fase do open banking teve início hoje, 13/8, e nela os dados dos clientes dos participantes poderão ser compartilhados, como informações de cadastro, de conta e de operações de crédito.

Esse compartilhamento (que só acontecerá nos casos em que o cliente autorizar de forma expressa) permitirá que o cliente receba propostas financeiras, simulações de empréstimos e de financiamento de diferentes instituições.

A terceira fase também começará em agosto, no dia 30, e contemplará serviços de transação de pagamentos, o que significa que os consumidores poderão fazer transferência ou pagamento fora do aplicativo bancário e internet banking. As transferências via Pix também entrarão no open banking nesta fase. Confira outras implementações da fase:

  • transferências via TED e transferências eletrônicas entre contas de uma mesma instituição (entrará no dia 15/2/22);
  • boletos (entrará no dia 30/6/22);
  • débito (entrará em 30/9/22);
  • encaminhamento de proposta de crédito (dia 30/3/22).

Por fim, a quarta e última fase tem início previsto para o dia 15/12/21. Apesar de ainda estar em debate, ela consiste no compartilhamento de informações sobre transações feitas pelos clientes, como operações de câmbio, investimentos, seguro e conta-salário.

Essa etapa será dividida em duas partes: em dezembro, as instituições estarão liberadas para compartilhar informações que não estão relacionadas aos dados dos clientes. Esses só entrarão no sistema open banking a partir do dia 31/5/22.

Consumidores temem o compartilhamento de dados no open banking, aponta pesquisa

Um estudo feito pela TecBan (Tecnologia bancária e soluções financeiras) e pelo Instituto Ipsos no mês de junho revelou que homens e mulheres com idade entre 18 e 59 anos não confiam totalmente no compartilhamento de dados. 

A maior preocupação, conforme indica a pesquisa, é que os dados sejam acessados por criminosos. 

A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) ressaltou que todas as operações do open banking são feitas em ambientes que possuem camadas de segurança, a partir de padrões já usados no setor bancário. Segundo o órgão, mais de R$ 1 bilhão é utilizado anualmente pelos bancos para investir em cibersegurança. 

De todo modo, aqueles que preferirem não ter os dados compartilhados têm essa opção, uma vez que os dados só são trocados mediante consentimento.

Ainda segundo a Febraban, o banco pedirá a autorização do cliente para o compartilhamento de dados pelos canais bancários já utilizados e não via SMS ou e-mails. A autorização do cliente será feita no meio eletrônico, mais especificamente, na área de autenticação do banco, pela tela do celular ou do computador. 

Se uma das regras forem quebradas ou o consumidor se encontre em uma situação onde precisa fazer uma denúncia ao Banco Central, ele deve usar as informações na página Fale Conosco do BC ou registrar a denúncia pelo próprio site do Banco Central.

6 dicas para proteger os dados bancários

Se por um lado as tecnologias facilitam a vida do usuário, há também a outra face da moeda, em que um deslize quanto aos dados pode, literalmente, custar caro. E outras situações, como por exemplo o furto ou roubo de um celular, também podem expor os dados financeiros do consumidor e exigir algumas medidas rápidas.

Quando o tema é proteger os dados bancários, seja o consumidor adepto do sistema open banking ou não, alguns cuidados devem ser tomados. 

Abaixo, explicamos dicas simples de serem colocadas em prática para diminuir o risco de apuros financeiros como golpes, fraudes e outros tipos de crimes.

Arte: bxblue

1. Cuidado com solicitações que chegam

Como mencionado anteriormente, os bancos via de regra não usam canais como e-mail ou SMS para solicitar dados pessoais de seus clientes. 

Em caso de abordagem por um desses meios, com links ou formulários para preencher os dados, é recomendável não atender à solicitação e não compartilhar informações. Não são raras as situações em que pessoas se passam por funcionários de bancos para enganar os clientes.

2. Colocar uma senha no chip do celular

Os chips de celulares possuem o recurso de bloqueio do chip, conhecido como PIN. Quando ativado, o usuário precisa digitar um código numérico ao acessar à internet ou fazer ligações e sempre que o celular for ligado.

Normalmente, a habilitação do PIN pode ser feita na parte de “Configurações” do dispositivo.

3. Evitar usar as mesmas senhas

Colocar as mesmas senhas em todos os serviços e aplicativos pode até ser fácil para memorização, mas essa atitude também simplifica a ação de criminosos e é desaconselhável a todos que buscam proteger os dados bancários.

Nesse caso, se uma senha de um único serviço é exposta, todas as outras o são também. Além disso, o tempo levado para recuperar ou alterar todas as senhas será redobrado. Por isso, fugir de senhas óbvias e combinações simples e apostar na variedade das senhas é altamente recomendável.

4. Não salvar as informações de cartões bancários na internet

Ao fazer uma compra na internet pelo computador ou celular com pagamento via cartão de crédito, é comum se deparar com a pergunta “Deseja salvar os dados do cartão?”. 

Responder “sim” a essa solicitação permite que o site e o navegador guardem as informações do cartão. Em casos de invasões ou perda dos dispositivos, esses dados também podem ser acessados e usados por golpistas. Por mais que leve mais tempo, é válido digitar manualmente os dados do cartão a cada compra.

Uma outra dica é ficar atento aos sites de compras, que devem apresentar um cadeado fechado ao lado do endereço no navegador (como está ao lado de www.bxblue.com.br/pedido, por exemplo). A ausência do símbolo de cadeado significa que o site não é seguro.

5. Ter o contato do banco salvo

Ter o contato do banco salvo torna a resolução do problema muito mais rápida diante de um vazamento de informações bancárias. Em situações de perda, roubo ou invasão, por exemplo, a conta e os cartões bancários precisam ser bloqueados.

Também é fundamental ter fácil acesso aos dados do e-mail cadastrado no dispositivo, seja ele computador, celular ou tablet, para solicitar o apagamento dos dados.

6. Evitar acessar aplicativos financeiros em redes compartilhadas

Ver uma rede de conexão Wi-Fi aberta (sem senha) chega a ser tentador atualmente, já que tantas coisas podem ser feitas no meio digital, porém, ela também pode colocar os dados em risco.

Especialmente para proteger os dados bancários, deve-se evitar ao máximo abrir aplicativos que utilizem dados pessoais ou bancários em redes compartilhadas. Por isso, é preferível utilizá-los de dentro de casa, com conexão privada de confiança.

A partir destes cuidados simples listados acima, os consumidores garantem uma nível a mais de proteção dos dados bancários sem deixar de usufruir das facilidades advindas com a revolução digital no mercado financeiro.


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